Manual do Controlador de Consumo de Água

Manual do Controlador de Consumo de Água

1. Apresentação e contexto do PURA

O Manual do Controlador apresenta orientações para apoiar ações de auditoria, pesquisa de vazamentos, intervenções, manutenção e monitoramento do uso da água. O material relaciona eficiência da edificação, tecnologia e conscientização dos usuários.

O Programa de Uso Racional da Água (PURA), criado pela SABESP, tem como objetivo atuar sobre a demanda, incentivando o uso racional por meio de ações tecnológicas, conscientização e mudança cultural em relação ao desperdício.

Objetivo do controlador
Acompanhar o sistema, identificar perdas e desperdícios e apoiar medidas que reduzam o consumo de água.

 

 

2. Plano de auditoria e diagnóstico

A auditoria começa pelo conhecimento das características físicas e funcionais dos equipamentos hidrossanitários, do sistema hidráulico e das atividades desenvolvidas com uso da água.

  •     Reunir informações documentais, como projetos de arquitetura e planta hidráulica.
  •     Cadastrar ou elaborar croqui das instalações hidráulicas.
  •     Levantar o sistema hidráulico predial e sistemas especiais.
  •     Levantar o perfil de consumo com base nas contas e leituras.
  •     Detectar vazamentos visíveis e não visíveis.
  •     Levantar informações sobre a qualidade da água e os procedimentos dos usuários.

O manual propõe um levantamento sistemático para que as informações possam ser usadas na análise do consumo e na identificação de desperdícios.

 

3. Sistema hidráulico e hidrômetro

A instalação predial de água fria reúne tubulações, conexões, aparelhos sanitários, reservatórios e dispositivos destinados ao abastecimento dos pontos de utilização. O sistema conduz a água desde a alimentação até os diferentes ambientes da edificação.

  •     A ligação predial conecta a rede distribuidora à instalação da edificação.
  •     O hidrômetro mede o volume de água fornecido pela rede.
  •     O consumo registrado é expresso em metros cúbicos (m³).
  •     1 m³ corresponde a 1.000 litros de água.
  •     A conservação do hidrômetro e o acesso livre facilitam a leitura e ajudam a preservar seu funcionamento.

 

4. Perfil de consumo e acompanhamento

O manual diferencia a água efetivamente utilizada daquela perdida por desperdício. O desperdício engloba perdas e uso excessivo. Por isso, acompanhar o consumo ao longo do tempo permite perceber variações e investigar suas causas.

  •     Realizar leituras em horários fixos e constantes.
  •     Preferencialmente manter as mesmas pessoas responsáveis pelo acompanhamento.
  •     Registrar dados semanais, mensais e anuais.
  •     Comparar os valores e observar variações significativas.
  •     Relacionar mudanças de consumo a eventos, intervenções, férias e alterações no uso da edificação.

Indicador
No exemplo apresentado pelo manual, o índice de redução é calculado comparando o volume médio antes e depois das intervenções.

 

5. Plano de intervenção

Depois do diagnóstico, o manual orienta a elaboração de um plano de intervenção, priorizando medidas capazes de produzir maior impacto na redução do consumo.

  •     Consertar ou substituir componentes danificados.
  •     Regular válvulas, torneiras, boias e outros equipamentos.
  •     Adicionar dispositivos economizadores.
  •     Substituir componentes convencionais por equipamentos de menor consumo.
  •     Registrar problema, solução, responsável, prazo e custo.
  •     Avaliar os impactos e acompanhar os resultados das ações.

 

6. Pesquisa e identificação de vazamentos

A detecção e o reparo de vazamentos são apresentados como ações indispensáveis para programas de redução do consumo. Os vazamentos podem resultar de envelhecimento, pressão, má instalação, qualidade dos materiais ou problemas nas conexões.

  •     Vazamentos visíveis podem ser identificados por inspeção direta.
  •     Vazamentos não visíveis exigem testes ou equipamentos específicos.
  •     Reservatórios, boias, registros, tubulações e pontos de consumo devem ser verificados.
  •     Em situações de maior complexidade, recomenda-se a atuação de profissional especializado.
  •     Após o reparo, o consumo deve ser monitorado para verificar o resultado.

 

7. Equipamentos economizadores

O manual apresenta equipamentos e dispositivos destinados à redução da vazão ou do volume utilizado. A escolha deve considerar o ponto de consumo, a pressão de trabalho e a aplicação.

Equipamento/dispositivo

Função principal

Arejador

Reduz a vazão percebida na saída da torneira, mantendo a funcionalidade do jato.

Restritor de vazão

Limita a vazão conforme a aplicação.

Registro regulador de vazão

Permite ajustar a vazão de acordo com a pressão local.

Válvula de fechamento automático

Interrompe o fluxo após um ciclo de acionamento.

Bacia VDR

Utiliza volume de descarga reduzido em relação a modelos convencionais.

 

As especificações técnicas do anexo do manual detalham características de válvulas, registros, torneiras e outros componentes utilizados no contexto do PURA.

 

8. Controle de desperdícios

Depois de corrigidas as perdas físicas, o manual recomenda observar os hábitos dos usuários. A cozinha, os banheiros, a lavanderia e as áreas externas apresentam situações específicas que podem ser modificadas.

  •     Cozinha: manter torneiras fechadas quando a água não for necessária e organizar as etapas de lavagem.
  •     Lavanderia: acumular roupas e utilizar a lavadora com carga adequada.
  •     Banheiros: evitar banhos demorados, não acionar descargas desnecessariamente e corrigir vazamentos.
  •     Áreas externas: preferir vassoura, balde e regador em situações em que a mangueira não seja necessária.
  •     Jardim: escolher espécies adequadas e irrigar em horários de menor evaporação.

 

9. Manutenção e monitoramento

A manutenção preventiva evita que problemas pequenos evoluam para perdas maiores. O manual apresenta rotinas para inspeção de equipamentos, reservatórios, tubulações e componentes do sistema hidrossanitário.

  •     Realizar inspeções periódicas e registrar as avarias.
  •     Verificar reservatórios, boias, registros, bombas e barriletes.
  •     Limpar componentes e corrigir entupimentos de forma adequada.
  •     Acompanhar as intervenções e os gastos realizados.
  •     Utilizar mapas e tabelas de controle para organizar as rotinas.
  •     Comparar o consumo antes e depois das intervenções.

 

10. Síntese: como aplicar o manual

O conteúdo pode ser organizado em um ciclo contínuo de gestão: diagnosticar, medir, identificar perdas, intervir, manter e monitorar. A sequência permite que as ações sejam avaliadas e ajustadas conforme os resultados observados.

Etapa

Aplicação

1. Diagnóstico

Conhecer instalações, equipamentos, atividades e perfil de consumo.

2. Medição

Registrar leituras e construir histórico do consumo.

3. Vazamentos

Localizar e corrigir perdas visíveis e não visíveis.

4. Intervenção

Consertar, regular ou substituir equipamentos e componentes.

5. Uso racional

Reduzir desperdícios por mudança de hábitos e procedimentos.

6. Monitoramento

Acompanhar consumo, custos, manutenção e resultados.

 

Resultado esperado
A integração entre ações tecnológicas, manutenção e conscientização pode produzir reduções relevantes de consumo, conforme os exemplos apresentados no manual.

 

 

 

Referências

SABESP. Manual do Controlador. Programa de Uso Racional da Água – PURA. São Paulo: Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo.

SABESP. Manual do Controlador: plano de auditoria, pesquisa de vazamento, plano de intervenção, manutenção e monitoramento.

Informações, tabelas, ilustrações e imagens deste material de síntese foram extraídas e reorganizadas a partir do manual original da SABESP.

Nota editorial: material de síntese elaborado pela Liga Cora com base nas publicações originais. As imagens e informações técnicas apresentadas devem ser consultadas também no documen

Fonte: https://drive.google.com/file/d/1IjkfyIhJXCzAW4XAGANmOwQy63ayRZMg/view

URL relacionada: https://drive.google.com/file/d/1IjkfyIhJXCzAW4XAGANmOwQy63ayRZMg/view