Estresse Hídrico: Riscos de Crise e Soluções Sustentáveis

A escassez de água doce é uma realidade crescente em diversas regiões do planeta. Segundo o Aqueduct Water Risk Atlas, elaborado pelo World Resources Institute (WRI), cerca de um quarto da população mundial enfrenta níveis “extremamente altos” de estresse hídrico, caracterizado pela relação crítica entre demanda e disponibilidade de água.

Os países mais afetados concentram-se no Oriente Médio, como Catar, Israel, Líbano e Irã, onde a demanda por água supera drasticamente a capacidade de renovação dos recursos hídricos. Contudo, outras regiões, como Índia, Chile, Bélgica e Portugal, também aparecem em posições preocupantes do ranking global.

No Brasil, mesmo sendo a maior reserva de água doce do mundo, crises hídricas já foram registradas em importantes capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, especialmente entre os anos de 2014 e 2018. No Nordeste, a seca prolongada agravou ainda mais a vulnerabilidade hídrica, refletindo os efeitos das mudanças climáticas e da má gestão dos recursos.

O mapeamento do WRI mostra que regiões como Bahia, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte apresentam risco “extremamente alto” de crise hídrica, equiparando-se a países do Oriente Médio. Além disso, áreas metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Brasília, Ribeirão Preto e Vitória são classificadas como de risco “alto”.

O panorama exposto evidencia a necessidade urgente de estratégias de gestão hídrica que considerem fatores ambientais, sociais e econômicos. No Brasil, a abundância de recursos hídricos não garante segurança hídrica devido à desigual distribuição espacial, ao crescimento populacional, à urbanização acelerada e ao uso intensivo na agricultura e na indústria.

É essencial compreender que a crise da água não é apenas consequência de períodos de seca, mas também da ausência de políticas públicas eficazes, de infraestrutura resiliente e de conservação ambiental. A demanda crescente pressiona os sistemas de abastecimento e exige soluções que conciliem preservação ambiental com segurança para o consumo humano e produção agrícola.

Uma das principais soluções apontadas pelo WRI é o investimento em infraestrutura natural, ou seja, ações que utilizem a própria natureza como ferramenta de proteção e manejo sustentável da água. Essas iniciativas incluem:
  • Conservação de áreas de mata nativa, que auxiliam na infiltração da água e no equilíbrio dos ciclos hidrológicos.
  • Restauração florestal de áreas degradadas, fundamental para melhorar a qualidade da água, reduzir custos de tratamento e aumentar a disponibilidade hídrica.
  • Gestão sustentável das paisagens, integrando o uso do solo com práticas agrícolas menos agressivas e maior proteção dos mananciais.
No Brasil, estudos do WRI mostraram que a restauração de áreas degradadas em São Paulo e Rio de Janeiro contribuiu para a melhoria da qualidade da água, além de reduzir os gastos das empresas de saneamento. Essa abordagem alia conservação ambiental e benefícios econômicos, reforçando a importância da natureza como aliada no enfrentamento das crises hídricas.
Portanto, o fortalecimento da infraestrutura natural deve ser encarado como uma estratégia central para garantir o abastecimento futuro, reduzir riscos de enchentes e secas, e aumentar a resiliência das cidades frente às mudanças climáticas.
Referências:
  • WORLD RESOURCES INSTITUTE (WRI). Aqueduct Water Risk Atlas. Disponível em: https://www.wri.org/aqueduct. 
  • TRATAMENTO DE ÁGUA. Estresse Hídrico: Ranking mostra onde há maior risco de faltar água no Brasil e no mundo. 2022. Disponível em: https://tratamentodeagua.com.br.