Você sabe quanto de água é realmente consumida no Brasil?
O Brasil é conhecido por sua abundância de recursos hídricos, concentrando cerca de 12% da água doce superficial do planeta. No entanto, essa distribuição é desigual, e os dados mais recentes revelam um cenário preocupante em relação ao consumo e à gestão desses recursos. Em 2022, o país retirou aproximadamente 88,8 trilhões de litros de água, segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Desse volume, 52,9% foram destinados à agricultura irrigada, o que evidencia a relevância desse setor nas demandas hídricas nacionais.
Outros setores também apresentaram grande utilização de água: o abastecimento urbano correspondeu a 22,5%, a indústria de transformação a 9,4% e a termoeletricidade a 8,2%. Já a evaporação líquida em reservatórios artificiais — considerada um uso consuntivo não setorial — respondeu por 27% do volume total retirado. Em outras palavras, mais de um quarto da água captada no país se perde em processos naturais, como a evaporação.
Os chamados “usos consuntivos” referem-se ao volume de água retirado de um manancial e que não retorna imediatamente ao mesmo corpo hídrico. Na agricultura, por exemplo, grande parte da água utilizada na irrigação se perde por evapotranspiração, infiltração ou é incorporada aos produtos agrícolas. A soma dessas perdas representa uma significativa redução na disponibilidade hídrica, especialmente em regiões com baixos índices pluviométricos e forte pressão sobre os mananciais.
A evolução histórica mostra uma demanda crescente por água no país. Entre 1940 e 1980, a retirada média anual aumentou 550 bilhões de litros. Entre 2000 e 2021, esse incremento passou para 1 trilhão e 30 bilhões de litros por ano. As projeções indicam que, até 2040, o Brasil poderá registrar um crescimento adicional de 1,1 trilhão de litros por ano, o que representa uma expansão de 30% em relação ao valor atual.
Esse cenário evidencia a necessidade urgente de investimentos em tecnologias mais eficientes de uso da água, especialmente na agricultura, setor mais dependente da disponibilidade hídrica. Sistemas como irrigação por gotejamento, controle automatizado e reúso de água residuária podem reduzir significativamente a pressão sobre os mananciais.
Referência:
AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS E SANEAMENTO BÁSICO. Manual de Usos Consuntivos da Água no Brasil. 2. ed. Brasília: ANA, 2024.
