Água tratada que some no caminho até sua casa: perdas no sistema de distribuição

 

Grande parte da água potável captada, tratada e destinada ao abastecimento público se perde antes mesmo de chegar às torneiras dos consumidores. Essas perdas são classificadas em dois tipos principais: físicas (ou reais), como vazamentos em tubulações e reservatórios; e aparentes, relacionadas a fraudes, erros de medição ou ligações clandestinas. Segundo a ANA (2024), as perdas na distribuição de água no Brasil são extremamente elevadas, superando 30% em média nacional e ultrapassando 50% em alguns municípios.

Esse cenário compromete a eficiência operacional dos sistemas de abastecimento, gerando desperdício de água tratada, aumento nos custos de operação e, em muitos casos, crises de abastecimento, sobretudo em períodos de estiagem. Além disso, representa um desafio à sustentabilidade, pois amplia a necessidade de captação em mananciais, pressionando ecossistemas aquáticos já vulneráveis.

As causas das perdas estão associadas à infraestrutura precária, à idade avançada das redes de distribuição, à falta de manutenção preventiva e à baixa cobertura de medição individualizada. A ausência de tecnologias de detecção de vazamentos e de controle de pressão agrava ainda mais a situação, especialmente em áreas urbanas densamente povoadas.

Entre as soluções viáveis destacam-se os investimentos na modernização das redes, o monitoramento em tempo real, programas de controle de perdas, a automação de válvulas e a implantação de distritos de medição e controle. Do ponto de vista da governança, é fundamental fortalecer a regulação e ampliar a capacidade institucional dos prestadores de serviços.

Reduzir as perdas de água não é apenas uma medida técnica, mas uma estratégia essencial de gestão ambiental e econômica. Essa prática promove a sustentabilidade hídrica e energética dos sistemas e garante o direito ao acesso equitativo à água, evitando que a população mais vulnerável seja a mais afetada pela escassez.

Referência
AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS E SANEAMENTO BÁSICO. Manual de Usos Consuntivos da Água no Brasil. 2. ed. Brasília: ANA, 2024.