Usos Finais da Água em Edifícios Públicos: o que revela o estudo realizado em Florianópolis (SC)?

Baseado no artigo Usos finais de água em edifícios públicos localizados em Florianópolis, SC — Kammers & Ghisi

A gestão eficiente da água em edifícios públicos é uma estratégia fundamental para reduzir custos, aliviar a pressão sobre os sistemas de abastecimento e favorecer práticas sustentáveis. O estudo realizado por Kammers e Ghisi analisou os usos finais da água em dez edifícios públicos de Florianópolis (SC), com o objetivo de identificar onde a água é consumida e quais usos podem ser supridos por fontes alternativas, como água pluvial e água de reúso.

A pesquisa monitorou diferentes categorias de consumo — descargas, lavatórios, limpeza, irrigação, cozinhas, bebedouros e uso em sistemas de climatização. Os resultados mostraram que:

  • Vasos sanitários e mictórios representam, em média, 72% do consumo total nos edifícios avaliados.

  • Somando-se os usos que não exigem água potável, como descargas, limpeza, irrigação e lavagem de áreas externas, chega-se a um potencial de substituição de até 77% do consumo total.

  • Alguns edifícios apresentaram consumo significativo devido às torres de resfriamento de ar-condicionado, especialmente nos meses mais quentes.

O estudo demonstra que a maior concentração de consumo em descargas e dispositivos sanitários abre espaço para intervenções de alto impacto, como:

  • aproveitamento de água da chuva,

  • reuso de águas cinzas,

  • substituição de equipamentos por versões economizadoras,

  • revisão de parâmetros de operação de sistemas de climatização.

Mesmo com diferenças entre os prédios analisados, o potencial de economia permanece elevado — indicando que políticas de gestão de demanda e tecnologias de reuso podem transformar significativamente o perfil de consumo hídrico de edifícios públicos brasileiros.

Os autores destacam que a adoção de práticas complementares, como inspeções periódicas, identificação de vazamentos e padronização de fluxos de descarga, pode ampliar ainda mais os ganhos. Além disso, integrar soluções de reuso aos sistemas já existentes reduz não só o consumo de água potável, mas também a geração de esgoto.

O estudo reforça que entender os usos finais da água é o passo inicial para planejar soluções eficientes, econômicas e ambientalmente responsáveis. Em edifícios públicos, onde as atividades de uso não potável predominam, o potencial de substituição por fontes alternativas é expressivo — e essencial para políticas de sustentabilidade hídrica.

Referência: KAMMERS, P. C.; GHISI, E. Usos finais de água em edifícios públicos localizados em Florianópolis, SC. Ambiente Construído, v. 6, n. 1, p. 75–90, 2008.